Vorcaro transferiu cotas de jato Legacy 650 para Viviane Barci de Moraes


Contrato de R$ 50 milhões previa pagamento por serviços jurídicos ao escritório de Viviane Barci de Moraes por meio de participação em empresas proprietárias de aeronaves; defesa afirma que proposta não foi aceita e que documento nunca foi assinado -Arte Metropoles

Um contrato de prestação de serviços jurídicos no valor de R$ 50 milhões colocou aeronaves no centro das investigações relacionadas ao Banco Master. Documentos e mensagens reunidos no inquérito apontam que o banqueiro Daniel Vorcaro teria negociado a transferência de cotas de um jato Legacy 650 e de um helicóptero para Viviane Barci de Moraes, advogada e esposa do ministro Alexandre de Moraes.

O material integra o acervo das investigações sobre o Caso Master que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro André Mendonça.

O contrato, datado de 19 de maio de 2025, previa que os serviços jurídicos prestados pelo escritório Barci de Moraes fossem remunerados, em parte, por meio de cotas societárias vinculadas a aeronaves. O acordo teria sido firmado entre a Viking Participações, holding patrimonial de Daniel Vorcaro, e o escritório de advocacia Barci de Moraes.

De acordo com a documentação, o pagamento envolveria participação em duas empresas: a Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A. (F24), proprietária de um jato Legacy 650, de prefixo PP-NLR, e a Fraction 053 Administração de Bem Próprio S.A. (F53), que estava em processo de aquisição de um helicóptero Airbus EC155 B1.

A negociação teria como referência a remuneração de R$ 50 milhões pelos serviços jurídicos.

Mensagens indicam uso das aeronaves

Embora o escritório Barci de Moraes tenha informado que o contrato nunca foi assinado, mensagens anexadas pela Polícia Federal à investigação indicam que as negociações envolvendo as cotas das aeronaves continuaram.

Em uma das conversas, Daniel Vorcaro afirma ao próprio advogado que os ativos já estariam destinados aos beneficiários.

“Os ativos são deles já”, diz Vorcaro em mensagem de maio de 2025, referindo-se às aeronaves.

Outro trecho destacado no relatório da Polícia Federal envolve uma conversa entre Viviane Barci de Moraes e Marcos, funcionário da empresa Prime You, responsável pela administração e compartilhamento de aeronaves.

Segundo o relatório, Viviane teria confirmado satisfação com a utilização dos equipamentos.

“Logo em seguida, Marcos (funcionário da Prime You) envia a Daniel Vorcaro recorte de conversa que ele teve com Viviane Moraes por meio da qual ele questiona se ‘estão gostando da utilização das cotas de vcs (vocês)’. Viviane (Barci de Moraes) responde que ‘Sim, estamos gostando muito’”, registra um trecho do documento da PF.

As mensagens também apontam que o jato e o helicóptero já vinham sendo utilizados havia alguns meses.

Em outra conversa, ocorrida em julho de 2025, Vorcaro questiona um funcionário da Prime You sobre a liberação das aeronaves.

“Eles não estão usando?”, pergunta Vorcaro.

“Liberado desde quando me pediu, já a usar sim”, responde Marcos.

O funcionário ainda acrescenta: “Já usaram aviões e helicópteros”.

A conversa sugere que a utilização das aeronaves teria começado ao menos três meses antes, período que coincide com maio de 2025, quando ocorreu a formalização da proposta contratual.

Preocupação com risco reputacional

Outro ponto que aparece nas conversas reunidas pela investigação é a preocupação em relação à estrutura societária que ficaria responsável pela propriedade dos ativos.

Segundo mensagem atribuída ao advogado Leonardo Palhares e enviada a Daniel Vorcaro em 24 de julho de 2025, havia receio de que a vinculação direta das aeronaves a uma empresa com sócios facilmente identificáveis pudesse provocar repercussões negativas.

“Eles queriam que a empresa que fosse dona do ativo fosse uma que os sócios estão muito visíveis e haveria risco reputacional grande”, explica Leonardo Palhares a Daniel Vorcaro.

O conteúdo das mensagens passou a integrar o conjunto de elementos analisados no âmbito da investigação sobre o Banco Master, que está sob relatoria do ministro André Mendonça no STF.

Barci de Moraes nega transferência e diz que proposta não foi aceita

Procurado, o escritório Barci de Moraes Advogados negou que tenha sido firmado um novo contrato envolvendo a Viking Participações ou que tenha ocorrido transferência das cotas das aeronaves.

Em nota, o escritório afirmou que mantinha apenas uma contratação com o Banco Master e que a proposta mencionada nas investigações não chegou a ser aceita ou formalizada.

“O escritório possuía somente uma contratação com o Master e nega qualquer transferência ou substituição do contrato. A proposta do Banco Master não foi aceita, nada foi assinado e o contrato original foi extinto com a liquidação do banco, o que encerrou qualquer vínculo com a instituição”, diz a nota.

A divergência entre a posição apresentada pelo escritório e o conteúdo das mensagens reunidas pela Polícia Federal coloca a negociação envolvendo o jato Legacy 650 e o helicóptero entre os pontos que deverão ser examinados no decorrer das investigações do Caso Master.

Redação com informações de Andreza Matais/Portal Metrópoles

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