
O 7 de Setembro de 2026 deverá ser marcado por uma forte mobilização do campo da direita contra o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, principalmente, contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Com atos programados em pelo menos 15 cidades brasileiras, a manifestação de maior dimensão está prevista para a Avenida Paulista, em São Paulo, onde a concentração começa às 15h.
O cenário ganhou novos contornos nos últimos dias com a crise envolvendo Alexandre de Moraes, o empresário Daniel Vorcaro e as investigações relacionadas ao Banco Master. A divulgação de mensagens entre Vorcaro e Moraes colocou o ministro novamente no centro do debate político e passou a ser utilizada pelas lideranças da direita como combustível para a mobilização nacional.
Segundo o Poder360, os protestos deste 7 de Setembro terão como principais alvos o presidente Lula e Alexandre de Moraes. A publicação aponta que a mobilização ocorre justamente durante a repercussão das mensagens atribuídas a Vorcaro e ao ministro.
Em São Paulo, o ato convocado pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) deverá reunir diferentes setores do bolsonarismo. O movimento adotou como principais palavras de ordem “Fora Lula, Fora Moraes” e “É agora ou nunca”.
A expectativa é transformar a Avenida Paulista em uma demonstração de força política às vésperas de uma nova etapa da disputa eleitoral de 2026. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o prefeito Ricardo Nunes articulam a presença de aproximadamente 300 prefeitos no evento, segundo o Poder360.
Também são esperadas lideranças como Michelle Bolsonaro, Nikolas Ferreira, Bia Kicis, Gustavo Gayer, Julia Zanatta, Rogério Marinho e o pastor Silas Malafaia.
Antes do ato da tarde, o candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, também programou uma mobilização na Paulista, com caminhada prevista para começar às 9h20, entre a região da Rua da Consolação e o MASP.
O que inicialmente seria uma mobilização com forte discurso contra o governo Lula ganhou uma nova bandeira nos últimos dias: o “Fora Moraes”.
A mudança é perceptível nas próprias peças de convocação divulgadas por lideranças da direita. Reportagem da Folha de S.Paulo aponta que as revelações envolvendo Moraes e Vorcaro deram novo impulso à convocação e fizeram a campanha de Flávio Bolsonaro apostar no ato da Paulista como uma oportunidade de ampliar sua presença política.
De acordo com a reportagem, a estratégia de Flávio é associar a crise envolvendo Moraes ao governo Lula, mantendo simultaneamente a defesa do STF enquanto direciona as críticas ao ministro individualmente.
O movimento também ganhou repercussão dentro do próprio PL. A bancada do partido anunciou novo pedido de impeachment de Moraes no Senado e passou a defender investigações envolvendo o ministro, além de outras autoridades citadas no contexto das apurações.
A campanha de Flávio enxerga o 7 de Setembro como uma oportunidade para transformar a mobilização de rua em capital eleitoral. O JOTA classificou o ato como um possível “ponto de virada” para a campanha do senador, diante da estratégia de explorar politicamente a crise envolvendo Moraes.
O efeito eleitoral sobre Flávio Bolsonaro
O componente eleitoral é um dos elementos que diferenciam o 7 de Setembro de 2026 de manifestações anteriores.
Flávio Bolsonaro é candidato à Presidência da República e pretende ocupar o espaço político deixado pelo pai, Jair Bolsonaro. Uma grande manifestação na Paulista, portanto, poderá funcionar não apenas como protesto contra o governo e o STF, mas também como demonstração pública da capacidade de mobilização do candidato.
A avaliação de aliados ouvidos pela Folha é de que uma forte participação popular poderia ajudar Flávio a fortalecer sua candidatura. Ao mesmo tempo, existe preocupação dentro do próprio grupo com eventual esvaziamento do ato, diante do desânimo de parte dos apoiadores com a falta de avanços nos pedidos de impeachment contra ministros do Supremo.
O desafio de Flávio será, portanto, transformar a indignação contra Moraes em força eleitoral sem permitir que o discurso ultrapasse a linha de confronto com as instituições.
Segundo levantamento publicado pelo Poder360 neste domingo (6), atos da direita estão previstos em pelo menos 15 cidades, distribuídos pelas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. As manifestações têm como principais pautas críticas ao governo Lula e ao ministro Alexandre de Moraes.

Em Pernambuco, por exemplo, o Recife também terá mobilização da direita. O ato está marcado para as 14h, na Avenida Boa Viagem, em frente à Padaria Boa Viagem, integrando uma mobilização nacional. (JC)
A movimentação ocorre paralelamente ao Grito dos Excluídos, marcado para a manhã do mesmo dia, no Centro do Recife.
Em João Pessoa, grupos ligados ao campo bolsonarista convocaram uma manifestação para as 15h, no Busto de Tamandaré, um dos principais cartões-postais da capital paraibana.
A convocação foi divulgada por meio de panfletos e redes sociais e tem entre suas pautas o pedido de impeachment de Alexandre de Moraes. A informação foi confirmada pelo ClickPB, que registrou a concentração no Busto de Tamandaré.
Além da manifestação da tarde, a programação paraibana prevê uma carreata com concentração às 8h no Dique de Cabedelo, seguindo em direção ao Busto de Tamandaré, em João Pessoa. Segundo a convocação divulgada, a carreata terá como bandeiras a liberdade, a família Bolsonaro e críticas ao governo Lula e a Alexandre de Moraes.
Um 7 de Setembro com forte componente eleitoral
A mobilização deste ano ocorre em um momento particularmente sensível da política brasileira. Com as eleições de 2026 no horizonte, as ruas voltam a ser utilizadas como espaço de demonstração de força política.
Em São Paulo, a Paulista será o grande termômetro. Uma multidão poderá fortalecer a imagem de Flávio Bolsonaro como principal nome do bolsonarismo na disputa presidencial. Uma participação abaixo das expectativas, por outro lado, poderá alimentar dúvidas sobre a capacidade de mobilização da direita em torno do novo candidato.
O pano de fundo é uma crise institucional que colocou Alexandre de Moraes novamente no centro da disputa política. Para a direita, o episódio reforça a necessidade de pressionar o Senado pelo impeachment do ministro. Para seus críticos, a utilização do caso como bandeira eleitoral mostra como a crise entre política e Judiciário passou a ocupar lugar central na corrida presidencial.
Assim, o 7 de Setembro de 2026 promete ir muito além das tradicionais celebrações da Independência. Entre bandeiras brasileiras, críticas a Lula, pedidos de impeachment e palavras de ordem contra Moraes, as manifestações deverão funcionar também como um dos primeiros grandes testes de mobilização da direita na eleição presidencial.
E, no mapa dessa mobilização, a Paraíba está confirmada: João Pessoa terá seu próprio ato, colocando o estado no circuito nacional das manifestações deste 7 de Setembro.
Redação com informações do Poder360, Folha S.Paulo, Jota Jornalismo, Portal G1, Pauta PB, ClickPB

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