
A crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e os desdobramentos do Caso Master ganhou um novo capítulo fora do Brasil. Nesta última quarta-feira (16), o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o empresário e jornalista Paulo Figueiredo se reuniram, em Washington, com integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos para apresentar suas posições sobre a situação brasileira e defender novas medidas contra ministros da Corte.
Entre os nomes citados durante a reunião estão os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes. Segundo relatos divulgados após o encontro, Eduardo Bolsonaro e Figueiredo defenderam a retomada de sanções contra Moraes e a adoção de medidas semelhantes contra Dino e Gilmar.
A agenda em Washington ocorreu um dia depois de uma sessão marcada por divergências entre ministros do STF durante a análise de duas petições relacionadas ao Caso Master. O plenário não chegou a examinar o mérito das acusações. A discussão ficou concentrada em questões processuais, incluindo a possibilidade de julgamento conjunto dos procedimentos e a definição da relatoria.
O debate envolve a Petição 16.662, originada de um relatório da Polícia Federal produzido a partir de informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e a Petição 16.704, relacionada a questionamentos sobre a condução do caso pelo ministro André Mendonça.
Pedido de novas medidas
Durante a reunião com representantes do governo Donald Trump, Figueiredo afirmou que a posição apresentada por ele e Eduardo Bolsonaro é de que Alexandre de Moraes deveria voltar à lista de pessoas sancionadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), do Departamento do Tesouro americano.
“Nossa posição é a de que Moraes continua sob a designação da Lei Global Magnitsky e que não há razão para que ele não seja reincluído na lista SDN [lista de pessoas designadas e bloqueadas] do OFAC”, disse Figueiredo.
Segundo o relato publicado pelo Poder360, Figueiredo também defendeu medidas contra Flávio Dino e Gilmar Mendes:
“Há elementos suficientes para demonstrar que Flávio Dino e Gilmar Mendes estão prestando apoio material a um indivíduo designado. E, portanto, devem ser designados também”, afirmou.
O empresário também declarou:
“Eu estou otimista de que os brasileiros de bem vão gostar das notícias vindas dos EUA nas próximas semanas. E os bandidos não”.
Ao Poder360, Figueiredo classificou o encontro como:“cordial como sempre. Aqui [EUA] estamos entre amigos.”
Caso Master interrompe análise no STF
No Supremo, a sessão de 15 de setembro terminou sem uma decisão sobre o mérito das petições. O ministro Flávio Dino pediu vista, suspendendo a discussão sobre a tramitação conjunta dos processos.
De acordo com o próprio STF, o debate envolvia, entre outros pontos, a proposta apresentada por Gilmar Mendes para que as duas petições fossem analisadas conjuntamente e para que fosse realizado um novo sorteio de relatoria. A proposta não foi consensual entre os ministros.
A Corte informou ainda que o ministro Nunes Marques declarou-se impedido de participar da análise, enquanto Dias Toffoli declarou suspeição por motivo de foro íntimo.
Histórico das sanções
Alexandre de Moraes havia sido incluído pelos Estados Unidos, em 2025, na lista de sanções relacionadas à Lei Global Magnitsky. Posteriormente, em dezembro daquele ano, o OFAC anunciou a retirada da designação do ministro.
Agora, a possibilidade de novas medidas voltou ao centro das discussões em Washington. Segundo apuração publicada pelo UOL, autoridades americanas vinham avaliando a possibilidade de novas sanções antes mesmo da reunião de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo. A reportagem, porém, ressalta que eventuais novas medidas dependem de decisões dentro do governo americano.
Até o momento, não houve anúncio oficial do governo dos Estados Unidos confirmando novas sanções contra Alexandre de Moraes, Flávio Dino ou Gilmar Mendes.
A movimentação acrescenta uma dimensão internacional à crise que vem sendo debatida dentro do STF. Enquanto o tribunal ainda precisa retomar a análise das petições relacionadas ao Caso Master, o episódio passou também a integrar a agenda de interlocução política entre integrantes da oposição brasileira e autoridades americanas.
Redação com informações informações da CNN Brasil, Poder 360, Correio da Manhã, UOL e STF

Deixe uma resposta