
Raquel Lyra (PSD) escreveu mais um capítulo de peso na política pernambucana neste domingo (4). Com 53,27% dos votos válidos, o equivalente a 2.805.438 votos, a governadora foi reeleita no primeiro turno e permanecerá à frente do Governo de Pernambuco até 2030. A vitória sobre o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) não apenas encerra a disputa antecipadamente, como também reposiciona Raquel no cenário político estadual e nacional.
O resultado representa uma mudança significativa em relação à eleição de 2022. Naquele ano, Raquel chegou ao segundo turno em uma situação de desvantagem, com 20,58% dos votos válidos, atrás de Marília Arraes. Na etapa decisiva, porém, virou o jogo e venceu com 58,70%.
Quatro anos depois, o roteiro foi completamente diferente. Desta vez, Raquel não precisou de uma segunda rodada para confirmar sua permanência no Palácio do Campo das Princesas. A governadora construiu uma vantagem suficiente para liquidar a eleição já no primeiro turno e transformou a campanha de 2026 em uma demonstração de força política.

Uma vitória que ultrapassou as fronteiras do Agreste
Um dos principais elementos do resultado foi a capacidade de Raquel de ampliar seu alcance eleitoral. Historicamente identificada com o Agreste, especialmente com Caruaru, onde foi prefeita por dois mandatos, a governadora conseguiu estabelecer uma votação competitiva em diferentes regiões do Estado.
Entre os 20 maiores colégios eleitorais de Pernambuco, Raquel liderou em 15 municípios, mostrando que sua candidatura não ficou restrita à sua tradicional base política.
Em Caruaru, seu principal reduto eleitoral, o desempenho foi especialmente expressivo. Em Santa Cruz do Capibaribe, alcançou 83,25% dos votos; em Taquaritinga do Norte, 78,86%; e em Toritama, 78,27%.
Mas o mapa eleitoral também mostrou uma Raquel forte fora do Agreste. Na Região Metropolitana, a governadora venceu em Jaboatão dos Guararapes, Paulista, Camaragibe, Igarassu e Ipojuca. No Sertão, também conseguiu resultados importantes, como em Petrolina, Serra Talhada e Salgueiro, onde chegou a 67,82%.
Na Zona da Mata, a candidata do PSD também abriu espaço, vencendo em municípios como Vitória de Santo Antão, Goiana, Carpina e Palmares.
João vence no Recife, mas não consegue levar a disputa para o segundo turno
João Campos manteve sua força na capital pernambucana, onde alcançou 49,94% dos votos, ficando cerca de quatro pontos à frente de Raquel. O desempenho, entretanto, não foi suficiente para compensar a vantagem construída pela governadora no restante do Estado.
O socialista também venceu em outros importantes municípios, como Olinda, Garanhuns, São Lourenço da Mata e Araripina. Ainda assim, a distribuição dos votos revelou uma eleição menos polarizada geograficamente do que poderia se imaginar.
Raquel conseguiu avançar sobre territórios importantes e demonstrou competitividade inclusive em áreas onde João Campos tinha expectativa de construir uma vantagem mais robusta.
De Caruaru ao Palácio do Campo das Princesas
A reeleição também consolida uma trajetória política sem derrotas eleitorais desde 2010.
Raquel foi eleita duas vezes deputada estadual, duas vezes prefeita de Caruaru e agora chega à segunda vitória consecutiva para o Governo de Pernambuco.
O resultado de 2026, portanto, acrescenta uma nova dimensão à carreira política da governadora: Raquel deixa de ser apenas uma liderança consolidada do Agreste para se afirmar como uma força eleitoral de alcance estadual.
A diferença entre 2022 e 2026 é simbólica. Se há quatro anos Raquel precisou protagonizar uma das grandes viradas eleitorais daquele pleito para chegar ao governo, agora ela percorreu o caminho inverso: começou na frente, ampliou a vantagem e encerrou a eleição no primeiro turno.
A vitória de Raquel Lyra também deverá produzir efeitos para além do resultado eleitoral. Com mais quatro anos no comando do Estado e uma votação superior a 2,8 milhões de votos, a governadora sai das urnas fortalecida para participar das próximas disputas políticas de Pernambuco.
O mapa eleitoral deixou uma mensagem clara: o projeto político de Raquel conseguiu atravessar as fronteiras de sua origem eleitoral e alcançar diferentes regiões do Estado.
A eleição que em 2022 parecia uma improvável escalada até o Palácio do Campo das Princesas transformou-se, quatro anos depois, em uma confirmação nas urnas.
Raquel Lyra venceu no primeiro turno. E, ao fazê-lo, transformou a reeleição em um dos principais sinais da nova configuração política de Pernambuco.
Redação com informações do Jornal do Commercio e do Diário de Pernambuco

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