
O mapa político dos estados ganhou uma nova mudança nesta quinta-feira (8). O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu anular os votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos) na eleição para o governo do Rio de Janeiro e abriu caminho para uma vitória inédita de Douglas Ruas (PL) ainda no primeiro turno.
Por 5 votos a 2, a Corte determinou que os 274.411 votos atribuídos a Garotinho, equivalentes a 3,17% da votação, sejam retirados do cálculo dos votos válidos. Com a retotalização determinada pela Justiça Eleitoral, Ruas, que havia terminado a apuração de domingo (4) com 49,27%, passa a superar a barreira dos 50% e deve ser proclamado governador eleito sem a realização do segundo turno.
A mudança transforma completamente uma eleição que, até então, parecia encaminhada para uma nova disputa entre Ruas e Eduardo Paes (PSD). No resultado original, o candidato do PL recebeu 4.271.199 votos, contra 3.706.984 de Paes. Com a exclusão da votação de Garotinho, Ruas chega a aproximadamente 50,9% dos votos válidos, percentual suficiente para encerrar a disputa na primeira etapa.
Uma eleição decidida nos tribunais
A decisão do TSE é consequência de uma disputa jurídica que atravessou toda a eleição. O registro de Garotinho havia sido indeferido pela Justiça Eleitoral em razão de sua situação de inelegibilidade. Mesmo assim, seu nome permaneceu disponível nas urnas porque a decisão ocorreu depois do fechamento do sistema eleitoral.
Durante a apuração, os votos recebidos pelo ex-governador ficaram registrados como sub judice, enquanto a Justiça Eleitoral analisava definitivamente o destino da candidatura e da votação. Após o pleito, a própria defesa de Garotinho chegou a desistir do recurso que buscava reverter o indeferimento.

O TSE também decidiu, por unanimidade, que Garotinho não poderia simplesmente desistir do recurso, uma vez que o julgamento poderia produzir efeitos sobre o resultado da eleição e, portanto, ultrapassava o interesse individual do candidato.
No julgamento desta quinta, o relator Floriano de Azevedo Marques foi acompanhado por Estela Aranha, André Mendonça, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques na decisão pela anulação dos votos. Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior divergiram e defenderam a manutenção da votação.
Do segundo turno à vitória no primeiro
A reviravolta é particularmente significativa porque, até poucos dias atrás, o próprio TSE havia divulgado oficialmente que Douglas Ruas e Eduardo Paes disputariam o segundo turno no Rio, marcado para 25 de outubro. Ruas aparecia com 49,27% e Paes com 42,76%.
Agora, com a retirada dos votos de Garotinho da base de cálculo, a eleição muda de cenário e o candidato do PL assume uma posição que parecia escapar por poucos pontos percentuais.
A decisão, portanto, não apenas retira Garotinho da disputa: ela altera o vencedor da eleição e transforma o segundo turno que estava programado em uma etapa que, na prática, deixa de ser necessária, cabendo ao TRE-RJ realizar a retotalização e adotar as providências para a proclamação do resultado.
O episódio também amplia a força do PL no cenário estadual de 2026. Douglas Ruas, alinhado ao campo conservador e ao bolsonarismo, passa a ser o novo governador do Rio, consolidando mais uma vitória da legenda na disputa pelos governos estaduais.
A definição, contudo, ainda deve provocar novos capítulos jurídicos. Eduardo Paes anunciou que pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter a decisão e preservar a realização do segundo turno.
Assim, uma eleição que terminou nas urnas no domingo voltou a ser disputada nos tribunais — e, quatro dias depois, saiu de uma corrida para o segundo turno para uma vitória em primeiro turno, redesenhando novamente o mapa político do Rio de Janeiro.
Redação com informações do PortalG1, CNN Brasil, UOL, Agência Brasil e TSE

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