
O segundo turno das eleições 2026 coloca diferentes apoiadores de Lula em Itapetim novamente no mesmo barco. A votação expressiva do presidente no município, com a participação da atual prefeita Aline Karina(PSB), de integrantes do partido socialista e de outras lideranças políticas, inclusive nomes da oposição, reforça uma questão que vai além da disputa nacional: quem de fato ocupa o centro da engrenagem política local?
Os números do primeiro turno ajudam a dimensionar a força eleitoral de cada candidatura em Itapetim. Lula recebeu 7.010 votos, o equivalente a 77,16% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 1.690 votos, correspondentes a 18,60%. A expressiva diferença evidencia a predominância eleitoral do atual presidente da República no município e abre espaço para uma análise sobre a capacidade de articulação e mobilização das forças políticas locais.
Nesse cenário, a prefeita Aline Karina (PSB) assume o comando institucional do grupo político, que tem o socialista Geraldo Alckmin (PSB) como candidato a vice-presidente. Ao mesmo tempo, a leitura da história política recente de Itapetim aponta para outra liderança que permanece como referência central na organização e na articulação desse grupo: Adelmo Moura.

Ex-prefeito e liderança histórica do PSB em Itapetim, Adelmo construiu sua trajetória ao longo de sucessivas eleições e administrações. Mesmo depois de deixar o comando da Prefeitura, continua como uma das principais referências do grupo político que permanece no poder.
A eleição municipal de 2024 é um exemplo dessa influência. Aline Karina foi eleita prefeita com 6.111 votos, correspondentes a 62,12% dos votos válidos, após ser escolhida como candidata à sucessão pelo próprio Adelmo.
No entanto, vale lembrar que a prefeita Aline Karina vem consolidando uma identidade própria de gestão, buscando se firmar como uma administradora eficiente, com atuação voltada para toda a população, independentemente de filiações ou preferências partidárias. Nos bastidores da política local, comenta-se, inclusive, que já existe preocupação entre governistas com a possibilidade de a prefeita ser impedida de disputar um segundo mandato, cenário que, caso se concretize por alguma circunstância política ou força superior, poderia contrariar a vontade popular e alterar os planos do grupo governista para o futuro.
A votação de Lula e o mérito da articulação política
Nesse contexto de afirmação da gestão de Aline Karina e de reorganização das forças políticas locais, os números das urnas também ajudam a compreender o peso das lideranças tradicionais na manutenção da influência do grupo governista em Itapetim.
Embora lideranças da oposição também tenham votado em Lula, o mérito político da articulação que sustenta a expressiva votação do presidente no município permanece associado ao grupo da situação, especialmente à liderança do ex-prefeito Adelmo Moura. Essa influência, no entanto, não se restringe à sua atuação individual: está relacionada ao papel histórico que Adelmo desempenha na organização política do grupo e na construção da aliança que mantém a base governista no poder.

Essa distinção é fundamental. Reconhecer que Lula recebeu votos de diferentes setores políticos não significa desconsiderar o papel de quem lidera e articula a principal estrutura municipal alinhada à esquerda e ao projeto político do presidente. Embora a participação de apoiadores de outras correntes seja inegável, ela não apaga a importância da base governista nem a trajetória de seu principal articulador histórico.

No primeiro turno das eleições, Itapetim confirmou uma disputa já esperada entre os dois principais grupos políticos do município. O candidato a governador João Campos (PSB) obteve 5.342 votos, o equivalente a 63,04% dos votos válidos, enquanto a governadora Raquel Lyra recebeu 3.071 votos, correspondentes a 36,24%, contando com o apoio de toda a oposição local.
O desempenho da governadora, que se reelegeu no primeiro turno com ampla votação, manteve o equilíbrio entre as forças políticas de Itapetim, enquanto a votação expressiva de João Campos e dos principais candidatos apoiados pelo grupo socialista dentro reafirma a presença eleitoral do PSB no município.
Vale destacar também que a prefeita Aline Karina gravou um vídeo para agradecer pela votação obtida pelo candidato João Campos, pelos senadores eleitos, Humberto Costa e Marília Arraes e pelos candidatos a deputados Eliane e Romerinho Jatobá. No entanto, ela, não fez nenhuma referência sobre a expressiva votação de Lula no município. Por que será?
Agora, com o segundo turno presidencial, o cenário ganha novos contornos. De um lado, o presidente Lula (PT), representante da esquerda; do outro, o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), identificado com a direita. A disputa nacional coloca em evidência uma questão que ultrapassa as preferências individuais e pode produzir reflexos na política municipal: até que ponto as escolhas nacionais se relacionam com os alinhamentos locais?
Para o eleitor que acompanha Adelmo Moura nas eleições municipais ou estaduais, mas pretende votar em Flávio Bolsonaro por identificação com a direita ou por oposição ao PT, essa combinação de preferências não representa, necessariamente, um conflito político. Afinal, o voto é individual e pode variar conforme o cargo, o candidato e a conjuntura.
Entre políticos, lideranças comunitárias e representantes de grupos locais, porém, a situação pode ser mais delicada. Nesse contexto, uma manifestação pública de apoio a Lula poderá ser interpretada por adversários como uma “concordância política” com Adelmo Moura, principal liderança socialista no município, ainda que as razões desse apoio sejam estritamente nacionais.
É justamente nesse ponto que surge a pergunta que promete alimentar as conversas políticas em Itapetim: de que lado cada liderança estará neste segundo turno? A posição assumida por cada grupo poderá revelar afinidades, expor diferenças e provocar interpretações sobre as futuras alianças municipais. Mais do que uma escolha entre dois candidatos de campos ideológicos opostos, a disputa abre espaço para observar como as lideranças locais administrarão suas relações políticas diante de uma polarização nacional que também se manifesta no interior.

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