Fantástico expõe acusações contra Lula e destaca lobista que cita Lulinha e sinaliza delação premiada


Investigada ao lado do filho do presidente em inquéritos no STF, Roberta Luchsinger afirma ter informações além das encontradas em seu celular e diz que pretende colaborar com as autoridades; Lula e Camilo Santana negam as acusações – Foto: reprodução

A reportagem do Fantástico, da TV Globo, voltou a lançar luz sobre as investigações envolvendo a lobista Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O caso ganhou novos contornos após Roberta conceder entrevista à CNN Brasil, na qual levantou suspeitas sobre a atuação de Lulinha, fez críticas ao presidente e afirmou que pretende negociar uma delação premiada.

Amiga de Lulinha, Roberta é investigada em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) que apuram suspeitas de tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro em órgãos do governo federal. As apurações buscam esclarecer possíveis relações entre os investigados e empresários envolvidos em um esquema de fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo os investigadores, a lobista recebeu repasses financeiros de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado nas investigações como figura ligada ao esquema. As suspeitas ainda dependem da apuração das autoridades e não representam, por si só, comprovação de culpa dos investigados.

Lobista cita reuniões de Lulinha com ministros

Na entrevista exibida no sábado (17), Roberta afirmou que decidiu falar publicamente após ela e suas duas filhas supostamente receberem ameaças de morte. Ela relacionou a situação às declarações de Lula, que a chamou de “pilantra”, e classificou o presidente como “mentiroso”.

Sem apresentar detalhes sobre os episódios mencionados, sob a justificativa de que os inquéritos tramitam em segredo de Justiça, a lobista afirmou que Lulinha teria se encontrado diversas vezes com ministros e relatou uma suposta viagem do filho do presidente à residência de Camilo Santana, no Ceará, quando ele ocupava o Ministério da Educação.

“É público e notório que o Fábio Luis inúmeras vezes esteve com ministros, inclusive viajou para casa de ministro, do ministro Camilo, no Ceará”, declarou Roberta.

Na sequência, ela contestou a afirmação atribuída a Lula de que seu filho jamais teria se reunido com integrantes do governo.

“O filho dele sentava semanalmente com o ministro, seja para trocar figurinhas, seja para trocar qualquer outro tipo de diálogo”, afirmou.

As declarações integram o relato da entrevistada e, até o momento, não devem ser confundidas com fatos comprovados judicialmente.

Foto: reprodução

Roberta diz que pretende fazer delação sem poupar ninguém

Um dos pontos de maior repercussão da entrevista foi a manifestação de Roberta sobre a possibilidade de firmar um acordo de colaboração premiada. Ela declarou que deseja apresentar informações às autoridades sem poupar nomes, incluindo Lula e Lulinha.

A lobista também afirmou que poderia revelar detalhes que não estariam registrados nas conversas extraídas de seu celular, apreendido pela Polícia Federal.

Roberta negou ter cometido crimes e abordou ainda um empréstimo concedido a Marco Aurélio, conhecido como Marcola, quando ele ocupava o cargo de chefe de gabinete da Presidência da República. Segundo ela, sua conduta poderia ser considerada amadora ou imoral, mas não teria havido contrapartida por parte do então chefe de gabinete.

Uma eventual colaboração premiada, contudo, depende de negociação com as autoridades competentes e do cumprimento dos requisitos legais. As declarações públicas, isoladamente, não equivalem à formalização de um acordo nem comprovam as suspeitas mencionadas.

Fantástico já havia mostrado histórico de dívidas

O caso de Roberta Luchsinger já havia sido abordado pelo Fantástico em agosto, quando o programa apresentou relatos de pessoas que afirmam ter sido prejudicadas em negócios envolvendo a lobista.

Entre os episódios exibidos estava o de um investidor que teria perdido uma fazenda avaliada em R$ 8 milhões após garantir um empréstimo não quitado relacionado a um filme que Roberta pretendia produzir.

A reportagem também reuniu relatos de dívidas envolvendo aluguéis, mensalidades escolares e serviços não pagos. Esses episódios compõem o histórico apresentado pelo programa, mas devem ser analisados separadamente das suspeitas criminais investigadas pelo STF.

Pedido de proteção chega à PGR

Após a repercussão da entrevista, o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, solicitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) proteção policial para Roberta, diante das ameaças relatadas por ela.

O parlamentar também pediu a apuração das supostas ameaças e de eventuais crimes que, segundo sua representação, poderiam envolver Lula, Lulinha e o senador Camilo Santana, que lidera o governo no Senado. A apresentação do pedido não significa que as acusações tenham sido confirmadas pelas autoridades.

Lula e Camilo Santana rebatem declarações

Em nota, Camilo Santana negou ter se encontrado com Fábio Luís para tratar de assuntos governamentais ou negócios. O senador também afirmou não manter qualquer relação com Roberta Luchsinger.

Lula, por sua vez, declarou que nunca teve interlocução com a lobista, não recebeu demandas dela e desconhece as supostas tratativas mencionadas na entrevista. O presidente acrescentou que não existe contrato entre o governo federal e Roberta.

Na manifestação, Lula também questionou o momento da divulgação das declarações, às vésperas do segundo turno eleitoral. Segundo o presidente, denúncias sem comprovação já foram utilizadas em outros processos eleitorais como instrumentos de manipulação da opinião pública.

A repercussão do caso amplia a pressão por esclarecimentos sobre as relações financeiras e os contatos mencionados nas investigações. A eventual apresentação de uma delação premiada poderá acrescentar novos elementos às apurações, caso seja formalizada e acompanhada de informações e provas passíveis de verificação.

Até que os fatos sejam esclarecidos pelas autoridades e pelo Judiciário, as acusações atribuídas à lobista devem ser tratadas como alegações, preservando-se o direito de defesa e a presunção de inocência dos investigados.

Redação com informações do Portal G1 e reportagem do Fantástico

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