Pernambuco se despede de Homero Fonseca, jornalista e escritor que transformou memória e imaginação em literatura


Nascido em Bezerros, Homero escreveu mais de 15 livros – Divulgação

O jornalismo e a literatura pernambucanos perderam, neste sábado (22), um de seus nomes mais marcantes. O jornalista e escritor Homero Fonseca morreu aos 77 anos, vítima de um câncer de pâncreas. Natural de Bezerros, no Agreste de Pernambuco, ele construiu uma trajetória reconhecida pela qualidade da escrita, pelo compromisso com a informação e por uma produção literária que ajudou a valorizar personagens, histórias e imaginários do Nordeste.

Ao longo da carreira, Homero publicou mais de 15 livros, transitando por diferentes gêneros, entre romances, reportagens históricas, biografias e obras de ficção infantojuvenil. Sua escrita era marcada pela combinação entre memória histórica, realismo mágico, folclore e crítica social, características que deram à sua obra uma identidade própria.

Um de seus trabalhos mais recentes foi a segunda edição de “Jaraguá: O Herói Inzoneiro”, romance que mergulha no universo fantástico nordestino para construir uma narrativa que atravessa tempos, símbolos e personagens. A obra reafirmou a capacidade do escritor de transformar referências da cultura popular em literatura, aproximando realidade e imaginação.

Outro destaque de sua produção foi “Roliúde: Um romance picaresco, aventuroso e cinematográfico”, lançado em 2011. Considerado um dos grandes sucessos de sua trajetória literária, o livro acompanha Bibiu, apresentado como uma espécie de “Ulisses nordestino” dos anos 1940. Na história, o personagem percorre o interior contando versões de enredos de clássicos do cinema hollywoodiano e brasileiro. A obra chegou a ser adaptada para o teatro.

Mesmo afastado dos eventos literários nos últimos tempos em razão dos problemas de saúde, Homero continuou presente por meio de seus livros. A escritora e blogueira Taís Paranhos destacou que sua obra permanece viva e capaz de atravessar gerações, mantendo em circulação uma visão singular sobre a cultura e a identidade nordestinas.

A trajetória de Homero Fonseca deixa, assim, uma marca que ultrapassa as páginas dos livros e as redações por onde passou. Seu trabalho ajudou a preservar memórias, reinventar personagens e lançar novos olhares sobre Pernambuco e o Nordeste.

Com sua morte, Pernambuco perde um jornalista comprometido e um escritor de voz singular. Em contrapartida, permanece o acervo de uma obra construída ao longo de décadas, capaz de manter vivo o olhar de Homero sobre a história, a cultura e a imaginação nordestina.

Redação com informações e foto do Portal FolhaPE

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