
A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou um novo capítulo no cenário nacional. Representantes do comércio, dos serviços e do turismo lançaram uma campanha de mobilização para pedir ao Senado Federal cautela diante do avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho e prevê o fim desse modelo de escala.
Com o lema “A conta já está alta demais. Mudança das regras do trabalho às vésperas da eleição? Agora não”, a campanha foi lançada nacionalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em conjunto com suas 34 federações e sindicatos filiados, durante o fim de semana dos dias 29 e 30 de agosto.
O movimento representa um apelo para que uma mudança de grande impacto nas relações de trabalho não seja decidida de maneira acelerada em um momento considerado sensível para a economia brasileira e para o ambiente político nacional.
Na avaliação das entidades do setor terciário, o País enfrenta atualmente uma combinação de fatores que pressiona empresas e consumidores, entre eles juros elevados, crédito caro e restritivo, endividamento das famílias, crescimento da inadimplência empresarial, redução de investimentos e a saída de empresas estrangeiras do Brasil.
Outro ponto levantado pela campanha envolve as discussões sobre a tributação das importações e os impactos sobre a competitividade do comércio nacional.
Para o setor produtivo, uma alteração abrupta nas regras da jornada de trabalho poderia elevar significativamente os custos operacionais das empresas, especialmente em segmentos nos quais a escala 6×1 ainda possui forte presença.
A preocupação é que o aumento das despesas trabalhistas provoque efeitos em cadeia, como pressão sobre os preços ao consumidor, redução na geração de empregos formais e crescimento da informalidade.
O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, defende que o debate seja conduzido com responsabilidade e aprofundamento técnico.
“O setor terciário não se opõe ao debate sobre o bem-estar do trabalhador, mas uma decisão dessa magnitude exige análise técnica, diálogo e profunda responsabilidade. A conta para quem produz e emprega no Brasil já está alta demais. Votarmos esta alteração constitucional drástica nas relações de trabalho, de forma apressada e às vésperas de um processo eleitoral, é colocar em risco a estabilidade de milhões de micro e pequenas empresas e a própria manutenção dos empregos formais de toda a cadeia produtiva. O caminho seguro continua sendo a negociação coletiva, que respeita as realidades de cada região e setor. Agora é o momento de preservar a economia e garantir a segurança jurídica do País”.

Pernambuco entra no debate
Em Pernambuco, o posicionamento também é reforçado pelo Sistema Fecomércio/Sesc/Senac-PE. O presidente da instituição, Bernardo Peixoto, destaca que qualquer mudança relacionada à jornada de trabalho precisa considerar as diferenças entre os diversos setores da economia e, principalmente, os impactos sobre pequenos negócios.
“É preciso discutir esse tema com muita cautela, porque qualquer mudança na jornada de trabalho provoca impactos diretos sobre os custos das empresas, a geração de empregos e os preços para o consumidor. Defendemos que esse debate seja conduzido com responsabilidade, ouvindo trabalhadores e empregadores e considerando as particularidades de cada atividade econômica. Uma decisão precipitada pode trazer consequências graves, sobretudo para as micro e pequenas empresas, que são responsáveis por grande parte dos empregos no País”.

A CNC defende que eventuais mudanças nas jornadas de trabalho sejam discutidas prioritariamente por meio de convenções e negociações coletivas entre trabalhadores e empregadores.
Segundo a entidade, esse caminho permitiria respeitar as diferentes realidades econômicas, regionais e setoriais existentes no Brasil, evitando a imposição de uma regra única para atividades com características distintas.
A campanha, portanto, busca levar ao centro do debate uma mensagem de prudência. Para comércio, serviços e turismo, a discussão sobre qualidade de vida e condições de trabalho precisa avançar, mas sem ignorar os reflexos econômicos que uma mudança constitucional pode produzir sobre empresas, empregos e preços.
Às vésperas de um período eleitoral, a palavra de ordem das entidades empresariais é clara: antes de mudar profundamente as regras do trabalho, é preciso calcular quem, afinal, pagará essa conta.
Serviço
Campanha: Contra a votação acelerada da PEC que prevê mudanças na escala 6×1
Lema: “A conta já está alta demais. Mudança das regras do trabalho às vésperas da eleição? Agora não”
Realização: Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), federações e sindicatos do setor terciário brasileiro
Em Pernambuco: Sistema Fecomércio/Sesc/Senac-PE
Redação com informações da Dupla Comunicação/Assessoria de Imprensa | Fotos: divulgação

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